Carta aberta, de mãe pra mãe
Precisa saber de uma coisa antes de decidir
Hoje todo mundo que vê a Olívia me diz a mesma frase: “nossa, como ela é boazinha”.
Eu sorrio e agradeço. Mas ninguém que fala isso viveu o que a gente viveu dentro de casa. Ninguém viu as brigas e os choros que passamos nas nossas 4 paredes.
Deixa eu te contar de um dia.
Era dia de estudo. A gente fazendo a tarefinha da escola, uma coisa fácil, uma coisa que eu sabia que ela já sabia. E ela não prestava atenção. Não pensava. Chutava a primeira resposta que vinha na cabeça, só pra se ver livre.
E eu fui ficando nervosa. Subiu uma raiva enorme dentro de mim, até que eu dei um grito. E dei um tapa tão forte na mesa que a minha própria mão ficou vermelha.
A mesa, não nela. Mas eu olhei pra minha mão vermelha e pensei: não é assim que eu quero ser mãe.
Aí eu tentei virar aquela mãe calminha, estilo zen, que respira fundo e nunca perde a paciência. Durou pouco. Porque, simplesmente, eu não sou assim. Fingir uma calma que eu não tinha só me deixava mais frustrada, e a Olívia sentia na hora.
Foi aí que eu entendi: eu não precisava me transformar em outra pessoa. Eu precisava de um caminho de respeito para ela e para mim.
Então eu fui atrás. Estudei, li, procurei em tudo que era canto formas de falar com uma criança sem gritar. Fui tão fundo que acabei me formando coach e coach parental. E eu preciso ser sincera: eu não fiz esses cursos pra virar profissional nem pra vender método pra ninguém. Eu fiz por mim e pela Olívia, pra ser a mãe que ela merecia dentro da minha própria casa.
E testei tudo na vida real. Muita coisa não funcionou. Um monte de frase bonita que parecia certa no papel, na hora da birra, não segurava nada. Mas algumas funcionaram, e essas eu fui ajustando pro meu jeito e pro jeito da Olívia, até virarem frases confortáveis para mim e orientadoras para ela. Foi esse o trabalho pesado, e levou tempo, muito choro junto com ela pelo caminho.
E o resultado eu não esperava.
Não tem mais briga na hora da tarefa. Quando a Olívia fica chateada, não vira mais confusão: ela consegue vir até mim e conversar. E quando eu falo que ela precisa fazer algo, ela faz. Sem guerra.
É por isso que as pessoas hoje só veem a menina “boazinha”. Elas veem o resultado. Não viveram a estrada até aqui.
E foi pensando em você, que talvez esteja vivendo hoje o que eu vivi naquele dia da mesa, que eu resolvi juntar num lugar só as frases que passaram no teste da vida real. Pra você não precisar refazer esse caminho todo.
Não é palavra mágica. É o que sobrou depois de muita coisa que não funcionou. As frases que me devolveram a paz dentro das minhas 4 paredes.




